
Catolicismo
Vertente do Cristianismo mais disseminada no mundo, o Catolicismo é a religião que tem maior número de adeptos no Brasil. Baseia-se na crença de que Jesus foi o Messias, enviado à Terra para redimir a Humanidade e restabelecer nosso laço de união com Deus (daí o Novo Testamento, ou Nova Aliança).
Um dos mais importantes preceitos católicos é o conceito de Trindade, ou seja, do Deus Pai, do Deus Filho (Jesus Cristo) e do Espírito Santo. Estes três seres seriam ao mesmo tempo Um e Três.
Na verdade, existem os chamados Mistérios Principais da Fé, os quais constituem os dois mais importantes pilares do Catolicismo. Eles são:
· A Unidade e a Trindade de Deus.· A Encarnação, a Paixão e a Morte de Jesus.
O termo "católico" significa universal, e a primeira vez em que foi usado para qualificar a Igreja foi no ano 105 d.C., numa carta de Santo Inácio, então bispo de Antioquia.
No século 2 da Era Cristã, o termo voltou a ser usado em inúmeros documentos, traduzindo a idéia de que a fé cristã já se achava disseminada por todo o planeta. No século 4 d.C., Santo Agostinho usou a designação "católica" para diferenciar a doutrina "verdadeira" das outras seitas de fundamentação cristã que começavam a surgir.
Mas foi somente no século 16, mais precisamente após o Concílio de Trento (1571), que a expressão "Igreja Católica" passou a designar exclusivamente a Igreja que tem seu centro no Vaticano. Cabe esclarecer que o Concílio de Trento aconteceu como reação à Reforma Protestante, incitada pelo sacerdote alemão Martin Lutero.
Em linhas gerais, podemos afirmar que o Catolicismo é uma doutrina intrinsecamente ligada ao Judaísmo. Seu livro sagrado é a Bíblia, dividida em Velho e Novo Testamento. Do Velho Testamento, que corresponde ao período anterior ao nascimento de Jesus, o Catolicismo aproveita não somente o Pentateuco (livros atribuídos a Moisés), mas também agrega os chamados livros "deuterocanônicos": Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Macabeus e alguns capítulos de Daniel e Ester. Esses livros não são reconhecidos pelas religiões protestantes.
O Catolicismo ensina que o fiel deve obedecer aos Sete Sacramentos, que são:
Batismo: O indivíduo é aceito como membro da Igreja, e portanto, da família de Deus.
Crisma: Confirmação do Batismo.
Eucaristia (ou comunhão): Ocasião em que o fiel recebe a hóstia consagrada, símbolo do corpo de Cristo.
Arrependimento ou Confissão: Ato em que o fiel confessa e reconhece seus pecados, obtendo o perdão divino mediante a devida penitência.
Ordens Sacras: Consagração do fiel como sacerdote, se ele assim o desejar, e após ter recebido a preparação adequada.
Matrimônio: Casamento.
Extrema-unção: Sacramento ministrado aos enfermos e pessoas em estado terminal, com o intuito de redimi-las dos seus pecados e facilitar o ingresso de suas almas no Paraíso.
O Culto a Maria e aos santos
Além do culto a Jesus, o Catolicismo enfatiza o culto à Virgem Maria (mãe de Jesus Cristo) e a diversos santos. Este, aliás, foi um dos pontos de divergência mais sérios entre a Igreja Católica e outras correntes cristãs. Para os evangélicos, por exemplo, a crença no poder da Virgem e dos santos enquanto intermediadores entre Deus e os homens constitui uma verdadeira heresia. No entanto, os teólogos católicos diferenciam muito bem a adoração e a veneração: eles explicam que, na liturgia católica, somente Deus é adorado, na pessoa de Jesus, seu filho unigênito. O respeito prestado à Virgem Maria e aos santos (estes últimos, pessoas que em vida tiveram uma conduta cristã impecável e exemplar) não constitui um rito de adoração.
Vale ressaltar que o processo de canonização - que consagra uma pessoa como "santa" - é minucioso, estende-se ao longo de vários anos e baseia-se numa série de relatos, pesquisas e provas testemunhais.
Céu e o Inferno
A recompensa máxima esperada pelo fiel católico é a salvação de sua alma, que após a morte adentrará o Paraíso e lá gozará de descanso eterno, junto de Deus Pai, dos santos e de Jesus Cristo.
No caso de um cristão morrer com algumas "contas em aberto" com o plano celestial, ele terá de fazer acertos - que talvez incluam uma passagem pelo Purgatório, espécie de reino intermediário onde a alma será submetida a uma série de suplícios e penitências, a fim de se purificar. A intensidade dos castigos e o período de permanência nesse estágio vai depender do tipo de vida que a pessoa levou na Terra.
Mas o grande castigo mesmo é a condenação da alma à perdição eterna, que acontece no Inferno. É para lá que, de acordo com os preceitos católicos, são conduzidos os pecadores renitentes. Um suplício e tanto, que jamais se acaba e inclui o convívio com Satanás, o senhor das trevas e personificação de todo o Mal.
Mas quais são, afinal, os pecados?Pecar é não obedecer aos 10 Mandamentos de Moisés, incorrer num dos Sete Pecados Capitais, desrespeitar os 5 Mandamentos da Igreja ou ignorar os
Mandamentos da Caridade.
Os 10 Mandamentos da Lei de Deus são:
1. Amar a Deus sobre todas as coisas.
2. Não tomar Seu santo nome em vão.
3. Guardar domingos e festas.
4. Honrar pai e mãe.
5. Não matar.
6. Não pecar contra a castidade.
7. Não furtar.
8. Não levantar falso testemunho.
9. Não desejar a mulher do próximo.
10. Não cobiçar as coisas alheias.
Os Sete Pecados Capitais são:
1. Gula2. Vaidade
3. Luxúria
4. Avareza
5. Preguiça
6. Cobiça
7. Ira
Os Mandamentos da Igreja são:
1. Participar da Missa nos domingos e festas de guarda.2. Confessar-se ao menos uma vez ao ano.3. Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição.4. Santificar as festas de preceito.5. Jejuar e abster-se de carne conforme manda a Santa Madre Igreja.
E os Mandamentos da Caridade são:
1. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente.2. Amarás a teu próximo como a ti mesmo.
Protestantismo
No século 16, um padre alemão chamado Martinho Lutero iniciou um movimento de reforma religiosa que culminaria num cisma, ou seja, numa divisão no seio da Igreja Católica. Foi assim que surgiram outras igrejas, igualmente cristãs, mas não ligadas ao Papado.
Lutero e os outros reformistas desejavam que a Igreja Cristã voltasse ao que eles chamavam de "pureza primitiva". Tais idéias foram detalhadas em 95 teses, elaboradas por Lutero, porém resultantes de uma série de discussões que envolveu boa parte do clero alemão. Entre outras propostas, sugeria-se a supressão das indulgências - que consistiam na remissão das penas referentes a um pecado, a partir de certos atos de devoção e piedade e até mesmo da compra do perdão por meio das autoridades eclesiásticas. A mediação da Igreja e dos Santos também deixaria de existir, prevalecendo então a ligação direta entre Deus e a humanidade. É por isso que, nas igrejas protestantes, não vemos imagens de santos e nem temos o culto à Virgem Maria, mãe de Jesus.
Originalmente, Lutero e seus pares não pretendiam provocar um cisma na Igreja, mas apenas rediscutir algumas diretrizes e efetuar mudanças. Porém, em 1530, Lutero foi excomungado pelo Papa. Essa medida alterou radicalmente os rumos da fé cristã na Europa e no mundo.
O primeiro país a aderir ao luteranismo foi a Alemanha, berço de Lutero. Depois, a Reforma irradiou-se pela Europa. Em 1537, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega e a Islândia já tinham aderido aos princípios luteranos. Na Suíça, foi um ex-padre, Huldreich Zwingli, quem difundiu o protestantismo e, na França, o propagador foi João Calvino (1509-1564). A Reforma Protestante também triunfou na Escócia e nos Países Baixos.
O Calvinismo
A corrente protestante iniciada na França por João Calvino apóia-se em três pilares principais: a supremacia da palavra de Deus, exposta na Bíblia; a exaltação da fé; e a predestinação.
A predestinação ensina que Deus escolhe previamente aqueles que serão "salvos" - ou seja, os "eleitos". A busca da realização material (no setor profissional e nas finanças, por exemplo) também é valorizada por essa doutrina, que enaltece a importância do trabalho do homem, no sentido de "aperfeiçoar" a criação divina. Além disso, a prosperidade material pode ser entendida como um sinal de salvação, isto é, de predestinação positiva. Nesse ponto, o calvinismo apresentou uma abordagem muito mais confortável para a burguesia que florescia na Europa daquele período, em contraposição à idéia da pobreza como sinônimo de virtude, defendida por algumas correntes do catolicismo.
Hoje, o protestantismo ocorre em várias partes do mundo, sob diferentes formas de apresentação. Temos os cultos sóbrios e bem-comportados, como o Luterano, o Batista e o Presbiteriano, e também os rituais exuberantes e extáticos das mais recentes igrejas pentecostais.
Conheça algumas especificações sobre diferentes doutrinas cristãs não-católicas. Ressaltamos que não enumeramos aqui todas as igrejas cristãs protestantes, mas somente algumas delas.
Culto Batista
A proclamação do Evangelho é a essência da fé batista. Nas celebrações religiosas, os cânticos de louvor a Deus se alternam com as orações e leituras bíblicas. Os membros da igreja são incentivados a convidar outras pessoas a participarem das celebrações. Os fiéis também têm o dever de contribuir com o dízimo, de orar diariamente e de participar de algum trabalho dentro da Igreja.
Mensalmente, os batistas participam da "Santa Ceia", compartilhando pão e suco de uva (que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo). O Batismo é feito por submersão, ou seja, o fiel mergulha de corpo inteiro nas águas, diferentemente do uso católico.
Culto Luterano
Os luteranos defendem a idéia de que todas as igrejas que pregam o Evangelho são dignas e devem ser reconhecidas pelos demais cristãos. Isso os torna mais abertos e progressistas do que os adeptos de algumas outras denominações protestantes.
Em essência, o luteranismo ensina que a Igreja é uma espécie de "materialização" do próprio Cristo. Em suas celebrações, costuma-se proceder à leitura bíblica, às orações (de agradecimento, louvor e súplica), à meditação e à entoação de salmos e hinos.
Culto Metodista
A exemplo de outras correntes protestantes, a Igreja Metodista tem no culto dominical sua mais importante cerimônia periódica. Mas, no decorrer da semana, os fiéis costumam participar de outros encontros, formando grupos de oração, de estudos bíblicos, de trocas de informações e testemunhos etc. Eventualmente, são realizadas as chamadas "Festas de Amor", ou "Ágapes", em que os irmãos se reúnem para compartilhar o pão e a água e para discorrer sobre suas experiências na vida cristã.
Culto Presbiteriano
Para os presbiterianos, nada acontece sem a Vontade de Deus. Assim, é Ele quem busca aqueles que vão servi-Lo e lhes concede a oportunidade do arrependimento, do perdão e da redenção. Em Jesus Cristo, Deus expressa seu amor infinito pelos homens; o objetivo de todo fiel deve ser igualar-se a Jesus, para alcançar a plena comunhão com o Criador.
Além de participar dos cultos dominicais, dos estudos bíblicos e de outras reuniões semanais, o fiel é exortado a praticar outras atividades cristãs cotidianas: ele deve orar, ler a Bíblia e manter-se continuamente em sintonia com Deus.As festividades presbiterianas mais importantes são: o Advento (em que é relembrada a vinda de Jesus, com ênfase no seu próximo retorno); o Natal; a Epifania (comemoração da manifestação de Cristo a todos os povos); a Quaresma, que culmina na Páscoa (em que são relembradas a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo); a Ascensão (celebração da elevação física de Jesus ao Reino de Deus); e o Pentecostes (que é a manifestação do Espírito Santo de Deus entre os homens).
As ofertas doadas pelos fiéis no decorrer dos cultos, bem como a entrega do dízimo, simbolizam a alegria da comunidade com as benesses concedidas pelo Criador.
As festividades presbiterianas mais importantes são: o Advento (em que é relembrada a vinda de Jesus, com ênfase no seu próximo retorno); o Natal; a Epifania (comemoração da manifestação de Cristo a todos os povos); a Quaresma, que culmina na Páscoa (em que são relembradas a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo); a Ascensão (celebração da elevação física de Jesus ao Reino de Deus); e o Pentecostes (que é a manifestação do Espírito Santo de Deus entre os homens).
As ofertas doadas pelos fiéis no decorrer dos cultos, bem como a entrega do dízimo, simbolizam a alegria da comunidade com as benesses concedidas pelo Criador.
Culto Pentecostal
A aproximação entre Deus e o fiel é o pilar sobre o qual se apóiam os cultos pentecostais de um modo geral. Aliás, cabe ressaltar que esse ramo do protestantismo é o que mais cresce nos dias de hoje, não somente no Brasil, mas também em outros países.
A exaltação, a fé proclamada em altos brados e a crença no Batismo pelo Espírito Santo (Pentecostes) são as características principais das cerimônias realizadas por essas igrejas. O roteiro seguido no decorrer dos cultos é praticamente o mesmo adotado nas igrejas batistas, com a diferença de que as orações e os hinos são entoados com um entusiasmo e um fervor ainda maiores. Além disso, boa parte do culto é dedicada aos "testemunhos", em que os fiéis sobem ao púlpito para falar de alguma graça alcançada ou para dar um exemplo da manifestação de Deus em suas vidas.
O Batismo pelo Espírito Santo é identificado quando algum fiel se põe a falar em "línguas estranhas", o que normalmente ocorre durante as orações. Os rituais de exorcismo costumam ser mais freqüentes nestas do que em outras igrejas cristãs, e deles participam todos os fiéis, orando em uníssono, sob a liderança do oficiante do culto.
Os membros da Igreja participam da vida comunitária de muitas formas: pregando o Evangelho (todo fiel tem o dever de tentar ganhar novas almas para Jesus), participando de atividades internas (no coral, nos estudos bíblicos, nos grupos de jovens, na escola dominical etc.) e contribuindo com o dízimo.
Cultos Afro-Brasileiras
Os cultos afro-brasileiros são sistemas de crenças herdados dos africanos, que foram trazidos como escravos para o Brasil a partir do século 16. A maior parte desses negros era proveniente da costa Oeste da África, onde predominavam dois grandes grupos: os Sudaneses e os Bantos.
Os sudaneses vêm da região do Golfo da Guiné, onde se situam hoje a Nigéria e o Benin. Pertenciam às nações Haussais, Jeje, Keto e Nagô, e foram os principais precursores do Candomblé.
Os bantos agregam as nações de Angola, Benguela, Cabinda e Congo. Dessas nações, herdamos, entre outros elementos culturais, a capoeira e a congada.Os cultos religiosos trazidos por esses povos sincretizaram-se com o Catolicismo, dando origem aos chamados cultos afro-brasileiros.
Candomblé
O Candomblé foi introduzido no Brasil pelos negros ioruba, na Bahia. Basicamente, é uma religião que cultua os orixás, deuses associados às forças da natureza, e sua liturigia é realizada no interior dos terreiros, também conhecidos como roças. Da Bahia, o Candomblé se disseminou por muitos outros estados brasileiros - aliás, tornou-se uma presença marcante no Rio de Janeiro. Em Pernambuco, o Candomblé é chamado de Xangô, nome de um dos orixás mais cultuados na tradição afro-brasileira.
Os orixás
Euá
Filha de Oxalá e Iemanjá, é uma deusa casta, que tem o poder de se tornar invisível e de penetrar nos mistérios de Ifá (o deus da adivinhação). Seus domínios são as ilhas e penínsulas, o céu estrelado, a chuva e a faixa branca do arco-íris. No sincretismo religioso, está associada a Nossa Senhora das Neves.
Exu
Filho primogênito de Oxalá e Iemanjá, Exu é aquele que abre os caminhos. Por isso, é sempre o primeiro orixá a ser invocado nas aberturas dos trabalhos, nas oferendas e na leitura do oráculo de búzios. Simboliza a energia dinâmica, o impulso sexual, o fluido vital. Também está associado à comunicação, por ser o intermediador entre os homens e os orixás.
Iansã
Filha de Oxalá e Iemanjá, Iansã tem os atributos da sensualidade, do dinamismo e da coragem. É uma deusa guerreira, representada sempre como uma mulher forte, que porta uma espada e um iruexim (espécie de chicote). Também é senhora dos eguns, os espíritos dos mortos. Seus domínios são os ventos, as tempestades, os raios e o fogo. No sincretismo religioso, está associada à católica Santa Bárbara.
Ibejis
São os orixás crianças, filhos gêmeos de Iemanjá e Oxalá. Simbolizam a dualidade: o quente e o frio, a luz e a escuridão, o masculino e o feminino, o divino e o humano, o início e o fim. No sincretismo religioso, estão associados a Cosme e Damião.
Iemanjá
Esposa de Oxalá e mãe de quase todos os orixás, Iemanjá tem diferentes manifestações, nas quais recebe os nomes de Inaê, Janaína e Oloxum. Seus atributos são a feminilidade, a generosidade, a abundância e a maternidade. No sincretismo religioso, está associada à Virgem Maria.
Ifá
Deus da advinhação, Ifá é o "dono" do jogo de búzios. Seu principal atributo é o conhecimento: ele sabe o que espera cada divindade e cada ser humano, pois é o senhor dos segredos do destino.
Logum
Filho de Oxóssi e Oxum, tem os atributos da elegência, da beleza e da sedução. Durante seis meses do ano, ele assume a forma masculina e caminha pelas matas, domínios de seu pai caçador. Nos outros seis meses, assume forma feminina e parte para as águas doces, que pertencem à sua mãe. É sempre representado como um adolescente, e também é chamado de Logunedê ou Logun-Edé. No sincretismo religioso, está associado a São Miguel Arcanjo e a Santo Expedito.
Nanã
Também chamada de Nanã Burukê, esta é uma orixá muito antiga, que em diversos mitos aparece como co-criadora do mundo (no mesmo patamar de Oxalá e de Olorum). É uma das esposas de Oxalá (ao lado de Iemanjá) e em muitas regiões brasileiras recebe o carinhoso apelido de Vovó. Tem como atributos a fecundidade, a riqueza e o ciclo de morte e renascimento. Seu domínio é a lama, mistura de terra e água que simboliza a origem da vida. No sincretismo religioso, está associada a Santa Ana, mãe de Maria.
Obá
Filha de Oxalá e Iemanjá, deusa guerreira das águas revoltas, Obá é uma sofredora. Conta a lenda que ela era uma das esposas de Xangô, mas sofria por ver que o marido só tinha olhos para a bela e ciumenta Oxum. Inocentemente, foi se aconselhar com a favorita do esposo, e perguntou-lhe qual o segredo para conquistar o coração de Xangô. Astuta, Oxum sugeriu que Obá cortasse a própria orelha e a servisse como um quitute sangrento para o marido - diante desse gesto, ele ficaria louco de paixão! No entanto, Oxum sabia muito bem que Xangô não tolerava ver sangue, e depois que Obá seguiu o maquiavélico conselho, o deus guerreiro criou verdadeira repulsa por ela! No sincretismo religioso, Obá está associada a Santa Catarina, Santa Joana D´Arc e Santa Marta.
Obaluaiê
Filho de Oxalá e Nanã, esse orixá, que também é conhecido pelos nomes de Omulu e Xapanã, é o senhor da morte e da vida, da doença e da cura. Seu rosto se oculta sob uma vestimenta de palha, material empregado nos ritos fúnebres africanos. Conta a lenda que, ao nascer, Obaluaiê era tão feio que sua mãe não suportou olhá-lo, e quem o criou foi a doce e maternal Iemanjá. No sincretismo religioso, está associado a São Lázaro e a São Roque.
Ogum
Filho de Oxalá e Iemanjá, Ogum é o desbravador de todos os caminhos. Tem a coragem, a força e a impetuosidade como atributos. Segundo os africanos, foi o criador do ferro e da metalurgia, tendo aberto novas perspectivas para a civilização humana. No sincretismo religioso, está associado a Santo Antonio e a São Jorge.
Olorum
É o orixá que simboliza o céu. Não é representado sob nenhuma forma material, e seus atributos são a totalidade, a perfeição e a universalidade.
Ossaim
Filho de Oxalá e Iemanjá, este orixá, que também recebe o nome de Ossanha, tem como atributos a cura e a magia. É o orixá das folhas, e portanto, das ervas medicinais. De acordo com os mitos africanos, ele é muito respeitado por todos os outros deuses, pois até os orixás dependem do poder das folhas para se revigorarem. As palavras que ativam o poder curativo das plantas é um mistério dominado exclusivamente pelos sacerdotes de Ossaim.
Oxalá
É o pai supremo, que separou o mundo material do mundo espiritual, criou os seres vivos e gerou os orixás. , Oxalá prefere sempre seguir o caminho do amor. Suas esposas são Nanã e Iemanjá, e o único orixá que se encontra acima dele é Olorum (o céu). Quando representado em sua forma jovem, Oxalá recebe o nome de Oxaguiã. No sincretismo religioso, está associado a Jesus.
Oxóssi
Filho de Oxalá e Iemanjá, é o orixá provedor, cuja habilidade em caçar garante a alimentação de todos os outros deuses. É considerado como o guardião da agricultura e da natureza. No sincretismo religioso, está associado a São Jorge e a São Sebastião.
Oxum
Filha de Oxalá e Iemanjá, Oxum tem como atributos a beleza, a fertilidade, a riqueza e o poder de gestação. É uma deusa vaidosa e sensual. No sincretismo religioso, está associada a Nossa Senhora das Candeias e a Nossa Senhora Aparecida.
Oxumaré
Filho de Oxalá e Nanã, ele é o arco-íris que liga o céu e a terra, a serpente que fecunda o solo e gera riquezas. Feminino e masculino ao mesmo tempo,
Xangô
Senhor dos raios, do fogo e das pedras, Xangô é um dos orixás mais populares do Brasil. Seus atributos são a firmeza de caráter, o senso de justiça, o amor à verdade, São João Batista e São Pedro.
Os preceitos
Cerimônias Privadas: São os ritos realizados pelos membros do terreiro sem presença do público. Normalmente acontecem como preparação para os cultos abertos. Destas cerimônias, fazem parte a preparação e a oferenda de comidas para os santos e os sacrifícios ritualísticos.
Ebós: Oferendas para os orixás. Geralmente são comidas, nas quais se incluem os animais sacrificados para esse fim.
Incorporação: Durante os rituais, são entoados cânticos de louvor aos orixás. Geralmente, as letras dessas cantigas ressaltam as características de cada divindade Quando a entidade finalmente "desce", incorpora-se nas filhas-de-santo a ela consagradas. Assim, as filhas de Iansã "recebem" Iansã, as de Oxalá, incorporam o próprio, e assim por diante
Jogo de Búzios: Oráculo usado como canal de comunicação entre os homens e os deuses. É comandado por Ifá, o orixá da adivinhação.
Quizilas: Coisas que desagradam aos orixás. Nesse grupo, se incluem certos tipos de alimentos, além de cores, perfumes e uma infinidade de elementos. Por exemplo: O sangue é a quizila de Xangô.
Obrigações: De tempos em tempos, o adepto do Candomblé tem o dever de prestar certas homenagens e de fazer oferendas para seus orixás, de modo que possa contar sempre com seus favores e sua proteção.
Elementos que fazem parte de um terreiro
Agogô: Sineta de ferro dupla, que é acionada pelo alabê para dar início à cerimônia.
Atabaques (rum, rumpi e lé): Instrumentos musicais tocados durante as cerimônias por filhos de santo designados especificamente para essa função.
Barracão: Grande sala, onde ocorrem os rituais, inclusive as cerimônias abertas ao público.
Camarinha: Pequenos "quartinhos" espalhados pelo terreiro, dentro dos quais os filhos e filhas de santo se recolhem por ocasião de sua iniciação.
Peji: Altares das Divindades. Nos pejis são depositadas as oferendas.
Alabê: Responsável pelos atabaques e pelo toque do agogô, que marca o início dos trabalhos.
Babalorixá: Chamado também de zelador do terreiro ou pai-de-santo, é o dirigente dos trabalhos. É sobre ele que recai a responsabilidade pelos trabalhos espirituais realizados na casa. Aplica-se essa expressão somente para o sexo masculino.Ekede: É uma espécie de "monitora". Durante os rituais, ela conduz as iaôs incorporadas até seus respectivos pejis, e as paramenta com as roupas e as armas correspondentes ao orixá incorporado.
Ialorixá: Exatamente a mesma coisa que babalorixá, só que neste caso, trata-se de alguém do sexo feminino. Também é chamada de "mãe-de-santo" ou zeladora.
Iaôs: Filhas-de-santo, que entoam os cânticos de louvor aos orixás e dançam em roda, durante os trabalhos. Em geral, são entoadas de três a sete cantigas para cada orixá. Quando este "desce", incorpora-se nas iaôs correspondentes.
Ogans: Filhos-de-santo encarregados de garantir a manutenção do terreiro, por meio de contribuição financeira ou de algum benefício obtido por meio de seu prestígio pessoal. São sempre designados pelo responsável da casa. Cabe ao Conselho de Ogans garantir a subsistência material do terreiro.
Pai-pequeno (ou mãe-pequena) Nessas cerimônias, as filhas e os filhos de santo incorporam não apenas os orixás (que jamais conversam com os presentes), mas também os espíritos de "caboclos", que seriam entidades de luz da corrente indígena.
Culto Vodu
Tem sua origem entre os negros do Daomé (atual Benin)
No Brasil, esse culto não é tão popular quanto o Candomblé e a Umbanda, mas conta com um bom número de adeptos, sobretudo na região de São Luis do Maranhão. Foi lá que, em 1796, foi fundado o culto Mina Jeje, pelos negros fons, originários de Abomey (à época, capital do Daomé). A família real Fon trouxe consigo o culto às divindades (voduns, equivalentes aos orixás) e à Serpente Sagrada, denominada Dan (correspondente ao orixá Oxumaré).
A nomenclatura correta para a nação Jeje seria Ewe-Fon. Em seu dialeto, a casa de Candomblé é denominada kwe, e segundo sua tradição, ela deve ser construída em meio à floresta, numa área repleta de árvores sagradas e rios. Essa grande área é chamada de Runpame, que significa "fazenda". Os animais também ocupam
No Maranhão, a sacerdotisa - que equivaleria à mãe-de-santo do Candomblé - é chamada de Noche. Quando o homem ocupa este cargo, recebe a denominação de Toivoduno.
A mais famosa Noche da História do culto vodu maranhense foi Mãe Andresa. Acredita-se que tenha sido a última princesa de linhagem direta da família real Fon. Morreu em 1954, aos 104 anos de idade.
Alguns Deuses voduns
AyzanVodun da nata da terra.
SogbôVodun do trovão.
AguêVodun da folhagem.
LokoVodun do tempo.
Umbanda
A Umbanda é uma religião tipicamente brasileira. Na verdade, pode-se dizer que ela não existe em nenhuma outra parte do mundo. Além do sincretismo clássico entre a herança religiosa africana e o Catolicismo, a Umbanda absorveu elementos do Espiritismo kardecista, de modo que, no decorrer dos rituais, o fiel se comunica com espíritos desencarnados.
O sincretismo entre orixás e santos católicos é muito forte. Veja as principais correspondências:
Euá - Nossa Senhora das Neves.Iansã - Santa Bárbara.Ibejis - Cosme e Damião.Iemanjá - Virgem Maria, principalmente Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora dos Navegantes.Logum - São Miguel Arcanjo e Santo Expedito.Nanã - Santa Ana, mãe de Maria.Obá - Santa Catarina, Santa Joana D´Arc e Santa Marta.Obaluaiê - São Lázaro e São Roque.Ogum - Santo Antonio e São Jorge.Oxalá - Jesus.Oxóssi - São Jorge e São Sebastião.Oxum - Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora Aparecida.Oxumaré - São Bartolomeu.Xangô - São Francisco de Assis, São Jerônimo, São João Batista e São Pedro.
As práticas existentes dentro dos terreiros de Umbanda variam muito. Alguns demonstram uma ligação mais forte com o Espiritismo, outros se aproximam mais do Candomblé.
Aqueles que "recebem" os espíritos são chamados de cavalos. Durante a incorporação, o "cavalo" permanece inconsciente, e quem fala através dele é seu "guia", ou seja, a entidade espiritual a ele associada. Para auxiliar os cavalos, existem os cambonos, que ocupam papel relevante na hierarquia do terreiro. Mas a posição mais elevada cabe à mãe ou ao pai-de-santo, que é a pessoa responsável pelos trabalhos espirituais.
A hierarquia do terreiro
Babalorixás (Babalaô, quando homem, e Ialorixá, quando mulher) - São os dirigentes.
Zeladores (jibonã e sidagã) - Auxiliam os dirigentes.
Ogã e Sambas - Tocam os atabaques e observam a disciplina.
Pais e Mães-Pequenas (Baba Mindim) - Assistentes do dirigente. Em geral, ajudam no trabalho de desenvolvimento da mediunidade dos filhos de fé.
Cambonos e coroados (feitos e / ou confirmados) - Prestam assistência aos cavalos, durante a gira.
Filhos de fé (aceitos) - São aqueles que se preparam para entrar em desenvolvimento.
Filhos de fé (em observação) - Freqüentam os trabalhos para o desenvolvimento de seus dons mediúnicos.
As sete linhas da Umbanda
A Umbanda se divide em sete linhas, ou "bandas", sendo que cada uma delas é consagrada a um orixá. Cada uma dessas divindades, por sua vez, comanda sete falanges.
Uma dessas falanges corresponde à vibração original do orixá (por exemplo: linha de Ogum). As outras seis falanges do orixá significam o cruzamento da energia original do orixá com as dos outros seis orixás (exemplo: a linha de Ogum Beira-Mar é o cruzamento da linha de Ogum com a de Iemanjá). Temos assim um total de 49 falanges.
Como o orixá nunca incorpora no ritual da Umbanda, a função das entidades pertencentes às falanges é justamente descer à Terra e executar o trabalho ordenado pelo orixá. Elas são portadoras da força da divindade.
Os orixás que comandam as falanges são Iansã, Iemanjá, Ogum, Oxalá, Oxóssi, Oxum e Xangô.
Veja mais sobre os orixás e as entidades que integram as falanges da Umbanda:
OxaláCor: BrancaDomínios: Todos os campos da natureza.
OxóssiCor: VermelhaDomínio: As matas.
XangôCor: MarromDomínio: As pedras.
OgumCor: VerdeDomínio: As estradas.
IemanjáCores: Rosa e branco cristalinoDomínio: O mar e as águas em geral.
Oxum Cor: AzulDomínio: As águas doces.
Iansã Cor: AmarelaDomínios: Ventos e Tempestades.
NanãCor: LilásDomínio: Lama.
ObaluaiêCores: Preto e brancoDomínio: As cavernas.
OxumaréCor: Azul claroDomínio: As chuvas leves.
TempoCor: Branco peroladoDomínio: As montanhas.
ExuCores: Preto e VermelhoDomínio: Os descampados.
Pomba-giraCores: Preto e VermelhoDomínio: Os descampados.
Exu-mirimCores: Preto e vermelhoDomínio: Os descampados.
MarinheiroCores: Azul e brancoDomínio: As emoções.
BoiadeiroCores: Marrom e VermelhoDomínio: A força bruta.
CiganoCores: Todas do arco-írisDomínio: A liberdade.
BaianoCores: VariadasDomínios: A esperança e a coragem.
CabocloCor: VerdeDomínio: A simplicidade.
Preto-VelhoCor: BrancoDomínio: A sabedoria.
CriançaCores: VariadasDomínio: A pureza.
OBSERVAÇÃO: Essas correspondências, embora sejam as mais difundidas, podem sofrer variações em diferentes terreiros.
Oferendas
Quando as entidades que compõem as diferentes falanges estão incorporadas, elas se prestam a aconselhar seus consulentes e a realizar alguns rituais. Nestas ocasiões, utilizam-se dos quatro elementos básicos da Natureza - ou seja, AR, TERRA, FOGO e ÁGUA.
Água e bebidas não-alcoólicas: Servem para a cura, pois simbolizam a força, o remédio e o poder gerador.
Bebidas alcoólicas: Pertencem ao elemento Fogo e permitem transmutar as energias.
Cachimbo, charuto ou cigarro: Une o Fogo, a Água, a Terra e o Ar, sintetizando, assim, os elementos de todas as linhas.
Quimbanda, ou as "linhas de esquerda"
Nunca se deve confundir o orixá com as entidades que integram sua Linha de Força.
A questão mais polêmica, sem sombra de dúvida, cerca o orixá Exu. Ele é uma força da natureza, imaterial e incorpóreo, como os demais orixás.
Dentro da Umbanda, a Hierarquia deste orixá denomina-se Quimbanda, recebendo ainda os nomes de Banda dos Exus e Falange dos Exus.
Na Umbanda, entende-se que este orixá e as entidades que fazem parte de sua falange atuam "à esquerda". Isso, porém, não significa que sejam de agentes do Mal!
As entidades que constituem a Quimbanda são denominadas Exus, Pombas-giras e Exus-mirins. Têm missão cármica definida e trabalham no sentido de evoluir no plano espiritual, exatamente como os integrantes de todas as outras falanges.
Os Exus são responsáveis pelos trabalhos de proteção, além de terem energia vitalizadora e promoverem a desagregação de energias maléficas. Existe ainda um outro papel, muito delicado, que cabe aos integrantes desta hierarquia: é o de liberar o consciente e o inconsciente do fiel que estiver se preparando para desenvolver um trabalho mais ativo no terreiro. As entidades de Quimbanda podem trazer à tona os traumas e os segredos reprimidos - conscientemente ou não - pelo "filho de fé".
Sendo assim, pode acontecer de os "cavalos" que estejam incorporando essas entidades de Esquerda usarem linguajar torpe ou adotarem comportamentos duvidosos. Nestes casos, deve-se entender que aquele não é o procedimento da entidade em si - na verdade, pode tratar-se de uma "faxina" no inconsciente do próprio médium.
É bom ressaltar, porém, que a natureza complexa da missão confiada aos espíritos da Quimbanda os torna bem mais difíceis do que as demais entidades. Sendo assim, é necessário ter muito CONHECIMENTO e, principalmente, DISCERNIMENTO, para lidar com essas forças
Fonte: Internet